S. Martinho

O dia de S. Martinho já passou e ninguém falou sobre isso, o que eu acho uma tremenda injustiça. S. Martinho é sinónimos de: castanhas assadas e de provar o vinho, que repousa desde as últimas vindimas. Quem diz vinho, diz jeropiga ou então uma gasosa fresquinha.

Assar castanhas requer uma técnica apurada, não é qualquer individuo que consegue potencializar este fruto seco ao máximo. Uma das entidades que consegue assar a castanha a ponto de estar com o aspecto de “quentes e boas, a estalarem cinzentas na brasa” – como diria Carlos do Carmo na sua cantiga – são os vendedores de rua.

Atenção que os vendedores de rua são empreendedores de mão cheia e adaptam-se a qualquer situação. Tanto podem vender na sua banca: gelados no Verão; flores no dia dos Namorados ou castanhas em época adequada. Mas este nobre fruto seco também é amigo da família e poderá ser confeccionado no quentinho do seu lar, através de um púcaro na lareira ou então numa coloche, com sal q.b..

Comer castanhas é como um jogo: existem regras e objectivos, que fazem a delícia dos petizes e dos graúdos. Uma das regras é comer as castanhas ainda quentinhas, porque como diz o meu avô: “frias não têm piada nenhuma”, e convínhamos, frias não se consegue tirar a pele, surgindo assim uma guerra entre humano e fruto seco.

A castanha é como a Lasanha, nós sabemos que aquilo está a ferver, mas mesmo assim comemos aquilo, somos sádicos, e adoramos ter o céu-da-boca queimado. Queimados ficam também a ponta dos dedos. São precisos anos até dominar a técnica de descascar sem sofrer consequências e ir parar à unidade de queimados da Santa Maria.

Ganha o jogo quem comer mais castanhas, que estejam em condições. Todos sabemos que a qualidade tem decrescido ao longo dos anos e é quase um milagre comer uma castanha perfeita. É importante avisar os parceiros de jogo assim que encontrar uma podre, para assim descontar nos pontos. Pontos esses que habilitam a um nissan qashqai em 2º mão.

No fim, se sobrarem castanhas, aquelas frias e sem vida, dêem uma 2º chance. Todos nós merecemos uma.

 

Adeus

Análise ao Tugão 2019/2020

Olá leitores futebolísticos.

Já com a primeira jornada jogada (faltando só o Rio-Ave vs Guimarães), puxei do meu lado António Tadeia e fiz a minha análise séria ao Tugão.

 

Famalicão

Foi vice-campeão da segunda liga e agora com o regresso, o clube abriu as portas, e abriu tanto que entrou um camião de jogadores do Jorge Mendes.
Tenho que elogiar os adeptos fervorosos do Famalicão, que vêm trazer mais paixão à Liga NOS.

 

Paços de Ferreira

O grande campeão da segunda liga, e digo-vos, um dos clubes que eu mais admiro no nosso campeonato.

O clube da cidade do IKEA português, tem como objectivo a manutenção e para isso será necessário montar uma equipa com a mesma facilidade que se monta aquele mobiliário sueco, mas terá de ter um pouco mais de qualidade.

 

Gil Vicente

Ora aí está! O Gil este ano, é de festa e de gaudio. Fiúza prometeu há três anos, que se o Gil voltasse à primeira liga (desceu por causa do caso Mateus) fazia uma festa e mandava vir dez porcos no espeto e dar ao povo. A verdade é que com esta promessa, fez com que eu e os meus amigos fizéssemos planos para ir a Barcelos.

Esse dia chegou e lá fomos comer as sandes, mas para nosso espanto não eram 10 mas sim 13, “juros” – disse Fiúza.

No plano desportivo o Gil foi buscar Vítor Oliveira, o campeão das subidas, mas para onde o mister Vítor subirá com o clube de Barcelos? Em maio tiramos as dúvidas, e espero que seja com uma bifana na mão.

 

Boavista

O Boavista também é experiente em subir de divisão por meio administrativo e sabem quem é que os axadrezados têm no plantel? Exacto… O Mateus. Vou ser sincero, desde que me lembro de ver futebol, o Mateus tem andado sempre por cá. Desconfio até que o Mateus já tenha 35 anos há 10, mas isto sou eu.

Com Lito Vidigal, o Boavista quer ficar mais um ano na Liga NOS. Longe vão os tempos de Jaime Pacheco; Petit; Martelinho, onde o clube jogava bom futebol… desculpem, boxe!

 

Vitória Futebol Clube (Setúbal)

Por cada ano desportivo que passa, por cada manutenção do Setúbal, eu fico completamente surpreendido.
Os Setubalenses que não me levem a mal, eu adoro o vosso choco “frrrrrito” e os golfinhos, mas o clube além de dever salários aos jogadores, também já anda a dever uns anos à segunda liga.

Veremos o que os “chocos” conseguem fazer durante esta época, se jogam um bocadinho de futebol ou se continuam a pedir ao Semedo por mais vídeos do CR7.

 

Santa Clara

O “Benfica dos Açores” conseguiu, o ano passado, garantir cedo a manutenção.

Os homens da ilha, finalmente, mostraram que já estão adaptados às bolas normais e deixaram as bolas de queijo da ilha para trás.

Este ano, o Santa Clara já é o campeão no que respeita a apresentação de jogadores para esta nova época, aconselho vivamente a irem dar uma vista de olhos às redes sociais do clube.

A única critica que faço aos açorianos é que não estão a aproveitar o Eliseu. Tirem o homem do inactivo, que ele já está farto de ajudar a mãe lá no restaurante.

 

Tondela

Aqui está a equipa que merecia ter o patrocínio da Dodot, porque já são épocas consecutivas a salvarem-se da descida nas últimas jornadas.
De Petit a Pepa, as trocas baldrocas que o clube faz, este ano o presidente decidiu contratar um treinador estrangeiro e não renovar com Pepa.

No fundo é a decisão mais acertada, até porque, vendo bem as coisas, Petit está livre para assinar nas últimas 10 jornadas.

Só uma nota. O melhor jogador do Tondela é o guarda-redes, que pelos vistos, todas as manhãs, faz parceria com a Cristina Ferreira na SIC

 

Moreirense

Época anterior excelente com Ivo Vieira no comando técnico. Não fosse por burocracias, este pequeno clube estaria na Liga Europa.

O Moreirense é o maior exemplo de que o futebol consegue ensinar geografia quer a miúdos quer a graúdos. Se não, como seria possível conhecer Moreira de Cónegos? E que a mesma localidade pertence ao concelho de Guimarães? Nunca saberíamos se não fosse o futebol. Pensem nisso.

 

Desportivo de Aves

Para mim é só um clube que é treinado por Augusto Inácio. Apenas dizer que fazer implantes compensa e fica muito bem.

Mesmo assim, não sejam “Inácios”.

 

Marítimo

O clube de Alberto João Jardim já não tem os seus rivais União da Madeira e especialmente o Nacional a chatear, e todos nós conhecemos as adeptas do Nacional e como elas conseguem ser irritantes.

Com Nuno Manta no comando, o objectivo é não descer, como fez com o Feirense.

 

Belenenses SAD / Codecity / Cruz Quebrada FC

Não sei que nome dar a este clube híbrido, mas a verdade é que se têm aguentado com Silas ao leme. Se fizesse uma sondagem, tenho a certeza que todos os adeptos esperariam que este clube fosse parar ao CNS e queriam que “Os Belenenses” voltassem ao campeonato que merecem.

O Belenenses SAD pode ter “perdido” do seu palmarés o campeonato de 1945/1946, mas mantém o “Dragão de Ouro” ganho pelo seu presidente Rui Pedro Soares.

 

Rio Ave

Carlos Carvalhal está de regresso ao “tugão” depois de experiências em Inglaterra: no Championship e meia época na Premier ao servido do Swansea.

Não sei se Carvalhal irá distribuir pasteis de nata pelos jornalistas, mas certamente que irá distribuir bom futebol por esses campos fora.

Nota pequena: O Rio Ave este ano fez uma tremenda poupança ao não renovar com Coentrão, é que o tabaco anda caro e o homem ainda queria mudar para aquele tabaco aquecido e que cheira a puns.

 

Portimonense

Eu ainda não percebi muito bem o que o Portimonense quer ser. Se quer ser a equipa B do Porto ou quer ser a equipa dos desenhos animados “Super Campeões” com a quantidade de japoneses que acolhe.

Enquanto pensam naquilo que querem ser, terão em Folha a sua maior esperança, para que consigam fazer uma época descansadinha.

 

Vitória Sport Clube (Guimarães)

Aqui nasceu Portugal e nota-se logo se olharmos para os White Angels. A claque adopta a mesma postura que El Rei Dom Afonso Henriques, que adorava andar à pancada.

Mas pronto, mesmo assim e quase sem baixas, em Guimarães está a quarta força do nosso campeonato em termos de adeptos.

Ivo Vieira mudou de clube (Moreirense) mas não de concelho. Logo não teve de mudar de casa e chatear-se com as mudanças.

 

Braga

Mais um ano a tentar pôr-se em bicos dos pés e a tentar, com esforço, sentar-se na “mesa dos crescidos”.
Talvez Sá Pinto seja a pessoa certa para levar o Braga a bom porto, digo isto porque Sá Pinto tem que começar a andar de barco, já que nos aviões o homem tem dificuldades em se relacionar com as pessoas.

 

Sporting

Será que é este ano? Parecendo que não, já passaram 17 anos, desde o último titulo de campeão nacional.

Em Alcochete as coisas parecem estar pacificas, até porque Bruno Fernandes irá ficar. Todos sabemos que o Bruno é muito importante na Academia, porque ele é: cozinheiro na cantina; rega e corta a relva; é segurança; é psicólogo; é assistente de roupeiro, ninguém tira o lugar ao Paulinho; ah e já me esquecia, também é jogador.

Até dezembro o Sporting terá equipa, depois logo se verá.

 

Porto

O FCP está sedento de voltar a ganhar o campeonato, mas não esperaria que assim que acabasse a época 2018/2019 fosse perder logo meio equipa de uma assentada.

Sérgio manteve o posto de comando e fará de tudo para levar a equipa ao título, nem que para isso comece a aparecer a horas para ir jantar.

Isto de ganhar títulos sem comida na barriga a horas, não se vai a lugar nenhum! Quem não é para comer a horas, não é para ganhar campeonatos nacionais.

 

Benfica

Os campeões vão em busca do bi campeonato, mas vão fazê-lo sem Jonas e sem João Félix. Sem estes dois no plantel, Vieira terá de aumentar a avença ao bruxo, não vejo outra solução.
Porém os benfiquistas não acreditam em bruxarias e estão completamente rendidos a Lage como se fosse uma religião, veremos se não acabará crucificado como o outro amigo.

A lenda do “Ovo a Cavalo”

 

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Rodolfo Ovo era um menino pobre de Branda da Aveleira, com dois irmãos e um cão. Após a morte de seu pai, Abílio, depois de uma emboscada efectuada por maldosos javalis, sua mãe, uma mãe de verdade,guerreira e lutadora, levou os seus rebentos para a capital.

A família fora de carroça puxada por um burro, o velho e bom Alípio, nome de gente, inteligência de doutor, mas corpo de animal. Alípio levou aquela família a bom porto e chegados a Lisboa, a miudagem festejou “chegámos! chegámos! O que vinha agora era uma lata de feijão, estamos cá com uma larica!” – gritou a pequenada em uníssono.

A vida da família Ovo não foi um mar de rosas, foi sempre uma vida muito mexida, com muito trabalho. A mãe Ovo, Alberta, a guerreia, recusou amar de novo, para ela o seu Abílio Ovo era quem mais mexia com ela.

Rodolfo era o irmão do meio, físico fraco porém o mais esperto e inteligente, diziam que ele era muito saído da casca, tirava boas notas na escola e trabalhava na padaria do Sr. Gonçalves. Os anos iam passando e Rodolfo tinha concluído a faculdade, foi então aí que recebera a noticia que Sr. Gonçalves falecera. Para Rodolfo era como se fosse um pai, a dor de perder um pai pela segunda vez era terrível para o jovem Ovo.

Mas no meio da tristeza, uma boa noticia: o Sr. Gonçalves deixou a sua padaria do Restelo para Rodolfo e, para espanto do jovem, deixou também uma linda égua branca, que estava prenha.

Rodolfo fez sucesso com a sua padaria do bairro do Restelo e, ao mesmo tempo, despertou uma paixão que nem ele sabia que estava dentro dele: o hipismo. Aquela linda égua branca, que estava prenha, deu à luz um possante cavalo preto e de porte forte, o Trovão.

Rodolfo Ovo começou a treinar com Trovão, no início não foi fácil pois o forte cavalo não era de ordens, tinha personalidade. Para Rodolfo, Trovão fez-lhe lembrar o bom e velho Alípio, o burro que trouxera a família para a capital.

Ovo inscreveu-se na prova mais importante do mundo de hipismo e queria ganhar, para não só dedicar à sua amada Carminho como à sua família que, dramaticamente, morrera num acidente de viação, a caminho da feira das sopas de Pêro Pinheiro. A última noite de Rodolfo não foi bem dormida, sonhou a noite toda que tinha ficado em último lugar e que nos jornais as manchetes diziam: “Rodolfo último a chegar foi um Ovo podre”.

Dia da prova, o dia mais importante das vidas de Rodolfo e Trovão, na partida estava o seu maior rival, o Conde Abacate e o seu cavalo Faísca, mas nada nem ninguém ia parar Rodolfo e Trovão.

Dá-se o tiro de partida, Rodolfo e Trovão não partem nas melhores condições, o trapaceiro Abacate com os seus estratagemas maléficos empurrou os nossos heróis, a corrida fica equilibrada e mais emocionante. Taco a taco Ovo e Abacate discutem a vitória, Carminho na bancada desmaia de tanta adrenalina.

O cenário não estava a ser o melhor para Ovo, o calor que se fazia sentir era tanto que estava a ficar completamente escalfado, mas tinha que lutar, por Carminho! Pela família!

Foi com o grito de raiva de Ovo que fez com que trovão corresse mais rápido que os outros, aquele lindo cavalo preto acelerou para a vitória. Mesmo em cima da meta ganharam! A festa do povo fez-se sentir, a vitória era deles, o respeito e a glória eram deles.

Na entrega da taça, Ovo e trovão deram uma volta olímpica e o povo aclamava: “olha o Ovo a cavalo! Olha o ovo a cavalo!”

Filas

Boa noite

No menu de hoje decidi falar sobre um sítio onde a população mundial, no geral, passa algum do seu tempo. Falo pois, em filas.

Existem as filas: indianas, claramente apropriação cultural por parte do povo branco; e as filinhas pirilau. Aqui já não é uma fila normal, é uma filinha, dá-nos já a informação que é pequena e fofinha. Agora, porquê “pirilau”? Não sei…

Continuando.

A pessoa é viciada em filas, não vamos escamotear isso, temos que assumir que se nós não estivermos envolvidos num aglomerado de pessoas devidamente organizado, o nosso dia não é a mesma coisa.

Logo ao acordar, a nossa sede de filas desperta. Acordamos, queremos ir à casa de banho e “TAU!”, ocupada, e à porta estão já os outros elementos da família, ordeiramente organizados em fila, para poder usufruir da casa de banho.

Filas como: casa de banho; café; multibanco; picar o passe no metro, são filas de amadores. Aliás, nessas filas, se o jovem leitor for “macaco” consegue deturpar a verdade “filistica” e, assim, ultrapassar outras pessoas sem que elas saibam. Muito simples.

Mas, e filas para profissionais em que envolve um sistema de senhas? É uma experiência dramática e psicologicamente cansativa. Se não, vejamos: o leitor chega ao locar onde existem senhas e verifica que está uma multidão. Desistir? Nunca! Depois arrisca e tira a senha, a sensação e a adrenalina em saber qual é o nosso número é superior a qualquer coisa; depois vem a desilusão, o desalento em saber que somos o 80 e no placar vai no 90.

Não é qualquer um que se mete nisso. São muitos anos de experiência e o caro leitor tem que ter esse facto em conta. Comece por baixo, aconselho-o, por exemplo, começar a frequentar filas de charcutaria em supermercados, depois eleve o nível e vá para uma farmácia, aí já estará a “jogar” com pessoas, tipo idosos, com uma vasta experiência em filas e em engonhar, verá que o seu tempo desperdiçado vai-lhe ser valioso e podia estar com a sua mulher e filhos a ter momentos únicos (atenção: pode ser com marido e filhos ou periquitos).

Após a etapa da farmácia concluída com sucesso, acho que o caro leitor está mais que capacitado para entrar em hospitais, o paraíso das filas, o pináculo do engonhamento. Sentirá a depressão que sempre sonhou, mas peço-lhe, cautela! Cautela, porque é preciso muito estofo para estas andanças. Não se meta, por exemplo, logo à campeão numa lista de espera, a champions league das filas, que é nada mais que uma fila mas só com o nosso nome num caderno ou numa folha excel.

Nas listas de espera o esforço físico e psicológico é tanto que, quem não estiver bem, acaba por falecer e isso acontece muitas vezes, podemos dizer que a nossa “vez” chega sempre primeiro.

 

Em conclusão, eu não me esqueci do centro de emprego, também um espaço com potencialidade em praticar a “mui nobre” actividade do engonhamento. Mas reparem, se vocês forem para o centro de emprego e arranjarem trabalho, como é que depois vão ter tempo para ir para as filas? Pois é…

Até à próxima

Inveja

Ok eu admito, tenho inveja, esse sentimento que, por vezes, nos corrói o corpo e vai até à alma. Eu sinto e não há nada que eu possa fazer sobre isso.

Eu passo a explicar: Eu sinto inveja daquilo que as outras pessoas viveram. Quando estou à mesa com a minha família – finalmente consegui passar da “mesa das crianças” para a “mesa dos crescidos” – não emito um único som só para ouvir as histórias que os mais velhos têm para contar. No fundo, a minha única contribuição para estas conversas é ouvir e absorver tudo o que é dito.
Na minha família, como em quase todas, há sempre histórias para contar e os temas são os mais variados: desde os dias de criança vividos num Alentejo pobre mas humilde, até às histórias na capital onde se ouviam aquelas músicas clandestinas debaixo dos lençóis.

Pode parecer estranho como um jovem adulto como eu, com todas as condições e com acesso fácil às coisas mais básicas como: saúde, educação, alimentação, liberdade de expressão, tem inveja de não ter tido a possibilidade de partir o gargalo de um “pirulito” para assim possuir um simples berlinde ou um cromo da bola de um jogador (que era apenas conhecido pelo nome ouvido na telefonia, perdão, na rádio); de não ter tido a liberdade total para correr vales e montes atrás de uma galinha sem que os pais sentissem qualquer preocupação.

Inveja por não ter tido a possibilidade de, com 14 anos, vender cervejas no Jamor, na final da Taça dos Campeões Europeus, entre o Celtic e o Inter em 1967. Como é que nos dias de hoje, um rapazinho que nem tinha cara para levar uma lambada na cara, teve a coragem de ir para o meio dos escoceses malucos e estasiados, sedentos de cerveja, que para eles é como fosse água? A verdade é que o pequeno rapaz fez a sua primeira fortuna à pala de simpáticos bêbados.

Inveja por não ter vivido os tempos de “luta” contra um regime repressor, onde não havia liberdade para expressar o que pensávamos. Engraçado como são os tempos, antes de 74, em Portugal, a maioria das pessoas não pensava em emitir uma opinião política, fosse num jornal, na televisão, radio ou até mesmo na rua. Em 2018, numa sociedade completamente liberal andamos a discutir o que podemos ou não dizer nas redes sociais, uma espécie de moralismo e censura invisível que paira por todo o lado e é executada atrás de um teclado.

Peço desculpa por ter havido este desvio.

O meu pai e o meu tio estiveram na rua em Lisboa quando os militares, vindos de Santarém, chegaram a Lisboa e estiveram no primeiro 1º de Maio em liberdade. Que sentimento foi este que invadiu as pessoas? Alguma vez irei sentir algo igual? As histórias que me partilharam dão um certo romantismo, fazem com que eu tivesse o desejo de ter estado lá também, eu penso sempre – “Como é que é estar num acontecimento histórico? Algo que vai mudar a vida das pessoas para sempre?” – Infelizmente nunca irei saber. Sou da geração pós queda muro de Berlim e onde os maiores acontecimentos que vi foi uma vitória da Selecção Portuguesa num Europeu de futebol e um tetra campeonato do Benfica.

Sinto falta de uma revoluçãozinha, de uma revolução agrária, de uma zaragata ou escaramuça política à moda antiga, quero cartazes e morais nas paredes, quero que a música de intervenção volte e malhe nos políticos, quero os jornalistas a fumar nos telejornais, quero os programas de culto sejam apresentados por pessoas relevantes e que o trash TV vá às ortigas.

O único “gostinho” que posso ter destes tempos de nostalgia, além das histórias, é através de um gira-discos. Sim, um gira-discos em comunhão com vinis cheios de história para recordar: Zeca, Adriano Correia de Oliveira, José Mário Branco, Vitorino, Trovante, Beatles, Charles Aznavour. Com um simples e correcto posicionamento da agulha sobre o vinil e aquela “chuva” de início, transporta-nos automaticamente para esses tempos.

Inveja, como és madrasta, mas pronto, deixem-me virar o disco para o lado B, que esta música já acabou.

Feliz Natal

 

Coletes

Olá, como estamos?

Eu gosto de cumprimentar as pessoas assim porque tenho receio que a nossa relação não esteja bem, que esteja fragmentada fruto de algum acontecimento que tenha afectado tudo o que alcançámos. Se vocês disserem que estamos bem eu fico descansado, se disserem que não estamos bem eu vou ser daquelas pessoas que vai insistir até tudo ficar bem, ou seja, vou-vos mandar uma sms às 3 da manhã a perguntar “está tudo bem?”.

Com este assunto já arrumado, gostaria de falar sobre coletes. Eu acho que um bom colete dá ao homem, e também à mulher, uma imagem de credibilidade e respeito. Infelizmente, algures na França, cidade da moda, esta peça de vestuário está a ser difamada e hoje tem o seu nome na lama.

Acho que os media estão a actuar de má fé ao que concerne às manifestações contra o Governo francês, deveriam de especificar que tipo de colete está a ser protagonista. Eu compreendo a confusão que possa causar nas pessoas, todos os coletes refletem alguma coisa: os de fato uma imagem formal; os dos empregados transmitem que podemos confiar na hora de pedir um galão com uma torrada; os que estão a ser usados em solo gaulês refletem não só a luz, como também a indignação sobre as políticas actuais; e há o colete encarnado que é a favor da grande festa ribatejana e que tanto orgulho dá às gentes de Vila Franca de Xira.

Mas não posso ser injusto, a Associação dos coletes nem um comunicado fez a defender tão nobre peça de vestuário. Segundo relatos, não vou desvendar as minhas fontes, o presidente desta associação possui uma loja de fatos… sem colete! Mais um escândalo, que não pode ser escondido das pessoas e essencialmente dos associados que pertencem a tal colectividade.

Após estas manifestações, qual será o futuro do colete? Será que poderemos trocar um pneu do nosso carro sem, do nada, levar com uma bastonada ou um jacto de água pela “tromba” acima? Será que os proprietários de estabelecimentos sempre que virem uma pessoa de colete camuflado podem dar-lhe um enxerto de porrada?

Sim podem, porque acho que o camuflado fica horrível.

Até outro dia.

Chinocadas

Boas noites,

Parece que o Presidente da China (sim, agora não vou escrever aqui Presidente da República Popular da China, daria muito trabalho, por isso esqueçam), veio a Portugal com o objetivo secreto de ver o seu grande amigo Paulo Futre.

Mas esse encontro não foi captado por nenhum jornalista, infelizmente, mas quis o destino que Marcelo fosse o protagonista desta visita muito importante.

Marcelo está tão contente com a geringonça que, quando viu um Chinês comunista, babou-se todo. Eu sei, eu sei, vocês devem de estar a pensar “coitado do senhor!”, “coitado” não será a melhor palavra, mas o nosso PR safava-se de boa se tivesse justificado o acontecimento com um simples “vi uma miúda bem formosa e não resisti”. É machismo? Sim, mas ao menos não passava a figura de velhote xéxé.

Parece que o Presidente da China alugou o Ritz, por uns meros 2 milhões de euros, confesso que quando vi esta notícia ainda temi o pior. Temi que o grandioso Ritz fosse transformado numa China Megastore, porque todos nós sabemos que, quando um chinês aluga um espaço, é para o rentabilizar com uma loja de bugigangas ou restaurantes duvidosos.

Interessante também verificar que, na hora do “beija-mão” com os partidos da assembleia, o BE e o PAN não se fizeram representar. O BE é normal, porque ninguém percebe bem o que eles representam, nem eles próprios, é uma salada de fruta de ideologia misturada com vodka, o que pode explicar muita coisa.

A ausência do PAN já consigo compreender, os gostos gastronómicos do PAN não são bem compatíveis com os chineses. Digamos que o IRA iria ter muito trabalhinho na China, estes poderiam deslocar-se para a China com o objectivo de liderar um movimento de rebelião a favor da libertação dos nossos amigos patudos. Olha fica aqui esta ideia catita para os moços e moças do IRA.

A mim não me faz impressão os Chineses comerem cães, pois se os portugueses comem bacalhau só significa uma coisa: Os nossos mais fiéis amigos são os mais saborosos.

Adeuzinho

Vamos brincar à caridadezinha

O estimado leitor já deve de ter reparado que o Natal chegou com toda a força. Vemos na TV os inúmeros anúncios a produtos alimentares, brinquedos, perfumes e tralha do género, itens esses que serão objecto de avaliação no dia 25 de Dezembro.

No fundo, o Natal é isso mesmo, é uma avaliação por parte de outrem do nosso bom, ou mau gosto, para escolher prendas. Pessoalmente, eu sou adepto do cartão cheque, nada mais me satisfaz do que receber um cartão com um plafon, para eu gastar no que quiser, sinto uma liberdade para consumir desenfreadamente como não houvesse amanhã.

Dia 25 de Dezembro, o dia de todos os dias, o dia em que trocamos de prendas e ficamos atentos para saber qual a primeira reacção da pessoa aquilo que compramos. É uma pressão enorme, só comparado quando o nosso cartão de multibanco falha num restaurante e a próxima caixa, para levantar dinheiro, é em Espanha. Se a pessoa faz cara feia, é a nossa sentença, o nosso atestado de incompetência, aquelas horas que perdemos naquela loja da moda foram um desperdício de tempo, mais valia ter comprado o cartão cheque.

Outra coisa que me faz confusão é que, nesta altura do ano, aparecem as instituições a pedir uma “esmola”, mas porque é que estas mesmas instituições só se lembram daqueles que mais precisam agora? Será que querem aproveitar o consumismo da época? Tal como José Barata Moura cantou, isto tudo parece que estamos a brincar à caridadezinha, e é a mais pura das verdades, é uma época onde – citando a referida música – “Cataloga-se até o coração”.

Vemos em todos os supermercados pessoas a distribuírem sacos para ajudar os que mais precisam e para onde vai esta comida? Será que o seu destino é aquele que a instituição apregoa? Tantas perguntas, mas sem uma resposta. Pedem às pessoas para doar alguns alimentos e é aqui que entra a minha confusão. Tal como as prendas de natal, nunca sei que alimentos colocar no saco para dar, eu não sei se a pessoa à qual vai chegar a minha ajuda gosta de arroz carolino, ou agulha, eu não sei se a pessoa gosta de esparguete ou de massa fussili, e o atum? Será que apreciará em óleo ou ao natural? São escolhas demasiado importantes para uma pessoa (eu) fazer, é demasiada responsabilidade.

Este ano já sei o que fazer: vou enviar um cartão cheque para a pessoa gastar onde quiser, acho que assim resolvo o problema.